20 de mar de 2018

Pais,Deficiência e Médicos.

Imagem retangular com fundo branco. No centro da imagem o desenho universal da pessoa com deficiência e a sua vola vários objetos com símbolos médicos, cama hospitalar, remédios, ambulância, raio x et..

Olá, pessoal!
O post de hoje vem trazer uma reflexão da realidade de muitos pais com algum tipo de deficiência, e quando esta deficiência é vista em primeiro lugar e não a mãe ou pai que esta ali.
Vou relatar minha experiencia enquanto mãe.
Venho tendo problemas com médicos desde que comecei a procurar por vários tipos de especialistas para o Roberth que sempre foi uma criança com alguma questão de saúde, o que sempre foi uma correria horrível e lá ia eu com ele nesta busca por respostas..
Nossa primeira consulta foi encaminhada pelo posto de saúde para o Otorrino pois o Roberth tem as laringes muito grande e a médica pediu uma avaliação sobre isso.
Nossa consulta foi marcada no Hospital de Clinicas, quando entramos na sala haviam três pessoas e entre elas o medico, relatei o porque estava ali, e ele na maior naturalidade começou a me explicar como eu deveria cuidar do meu filho, o que era certo e errado, eu ouvi sem entender nada pois estava ali para ver se o que o Roberth tinha não iria prejudica-lo e estava sendo orientada a como ser mãe, depois do ensinamento o medico tirou toda a roupa do Roberth que chorou muito e a todo tempo ele dizia para mim, que era preciso fazer aquilo e que estava tudo bem, para eu não me preocupar com o procedimento.
Aquilo foi me irritando estava sendo tratada como uma incapaz de entender o que ele estava fazendo, e mal sabia aquele médico que eu tinha ido sozinha e que cuidava dele também sozinha,, ser mãe eu aprendi na vivência, para ter que ir em um hospital buscar por um diagnóstico e ser tratada como uma doente, infeliz que resolveu ser mãe tendo uma limitação.
Sai de lá chocada e muito chateada e depois relatava para o Hélio o que tinha acontecido pois me sentia tão mal, nossa primeira consulta em um hospital foi com uma pneumologista que me tratou tão bem, diferente daquele médico.
Depois tive que buscar por mais dois especialistas e fui atendida novamente por dois médicos, um deles me disse como eu deveria agir  com o Roberh quando fizesse birra e que ele respeitava ao médico e não a mim, e que o eu estava ensinando,fiquei com muita raiva e nunca mais voltei lá, pois naquele dia eu tinha saído de casa ás 6 da manhã, cheia de dor e sozinha para ter que ouvir besteira, eu só queria ter orientação e nada mais, mas o que estava acontecendo é que o fato de eu ser uma mulher com deficiência criava a imagem de um ser incapaz, quem me conhece sabe que nunca me limitei a minha condição física, muito pelo contrario ela não me impede de nada nesta vida.
O ultimo médico esse disse que eu era teimosa e que não estava aceitando as suas orientações e o porque eu tinha ido sozinha na consulta com meu filho, sai do consultório resolvida a não voltar mais lá e ter que buscar por um medico particular com a espectativa de poder ser respeitada como mãe.
Depois veio exame quando me viram sozinha, por que tu está sozinha, cadê o pai ou um acompanhante, ter paciência e dizer que eu que era a mãe dele e fazia tudo, e a justificativa que eu não poderia ir sozinha no exame, e explicar que quando o pai veio marcar o exame ninguém falou nada, se não teria ido comigo.
Neste dia sai do exame arrasada, me sentindo um nada pois não tive como ajudar e tive que ouvir isso o tempo todo pelo médico e enfermeiras.
Se nós tivéssemos sido avisados eu teria levado alguém comigo, depois disso resolvi procurar a médica do posto que sempre me tratou com respeito e relatei o que estava acontecendo toda vez que eu era atendida por um médico homem, ela me disse que é bem assim, eles não respeitam as pessoas e no meu caso era pior ainda pois eu era uma mãe com deficiência, no consultório com ela chorei muito, e questionei que ela nunca tinha colocado minha deficiência em destaque e que via a mãe em primeiro lugar, ela me deu vários conselhos e pediu para eu me fortalecer com tudo isso e não aceitar mais esse tipo de coisa.
Toda vez que eu relatava para o Helio ele ficava apavorado pois na maioria das vezes não podia estar comigo e nos questionávamos e se ele estivesse comigo esses médicos homens agiriam da mesma maneira ou não.
O que quero ressaltar aqui é que qualquer pessoa com deficiência merece ser respeitada e o que fizeram comigo nestes três especialistas que busquei por uma orientação em relação a saúde do nosso filho e  fui tratada como um nada, sei que a questão de esteriótipos esta relacionada a isso, até porque somos vistos como pessoas assexuadas e não capazes te ter prazer e com isso decidir sobre nossos corpos o fato de sermos mãe ou  pai.
Por isso é preciso difundir esta realidade e trazer este assunto para a sociedade, sair desta invisibilidade que assombra tantas mulheres e pessoas com deficiência, o direito de decidir cabe a nós e não a sociedade.
Conforme a Lei Brasileira de Inclusão destinada a assegurar e desenvolver em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania.
Traz  Art. 5o A pessoa com deficiência será protegida de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, tortura, crueldade, opressão e tratamento desumano ou degradante.
Sempre digo que eu como qualquer outra mãe também tenho minhas dificuldades e claro comigo não é diferente mas me colocar neste lugar que pelo fato de eu ter uma limitação eu não sei ou não posso, é imperdoável.
Deixo este alerta para todos pais com algum tipo de deficiência, não permitam jamais isso, eu demorei para me fortalecer pois muitas vezes ia enfraquecida com a situação do meu filho e voltava para casa ainda pior, me sentindo um nada.
Por isso tenho lutado tanto pelo questão do atendimento humanizado em todas as áreas, tratar pais com deficiência dessa maneira é crime e da cadeia.
Hoje me sinto mais forte e não deixo passar pois só eu sei o que passo com meu filho.

Homens tirem seu machismo e patriarcado do meu corpo!

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