7 de ago de 2017

11 anos da Lei Maria da Penha e minha reflexão.

Imagem em preto e branco.
O foto mostra o pé direito apoiado na perna esquerda e a estrutura da cadeira de rodas do lado esquerdo.

Depois de passar dois dias com muita dor, hoje fiquei em casa, sim o cansaço emocional não me permitiu que eu estivesse mais um ano militando nas ruas.
Mas este dia me trouxe uma grande reflexão que as mulheres com deficiência continuam invisíveis pela sociedade e estado.
E está invisibilidade causa o silêncio de muitas mulheres com deficiência, que se quer tem o entendimento que estão sofrendo violência.
Segundo dados internacionais pois ainda o Brasil não tem essas estatísticas as mulheres com deficiência sofrem 3X mais violências que as demais mulheres, embora sofram todos os tipos de Violência ainda estamos longe de incluir as mulheres com deficiência nas políticas de enfrentamento e demais políticas.
A falta de garantias e inclusão nas políticas pelo estado causa a essas mulheres o silêncio de denunciar.
Outro fato importante para que as mulheres com deficiência denunciem é a falta de estrutura física nas delegacias de atendimento as mulheres, falta de intérprete de libras, a falta de credibilidade são fatores essenciais para que estás vítimas permaneçam no ciclo da violência.
Aqui no estado temos apenas uma delegacia da mulher e com péssima estrutura as mulheres com deficiência que ao procuram este serviço são transferidas a outro local mais acessível e lá são atendidas e isto acorre neste ano pois até o ano passado se uma mulher cadeirante fosse procurar atendimento se quer tinha como acessar o local por conta das escadas na entrada.
Se esta mulher for surda segundo informações do próprio departamento existe apenas uma profissional que tem conhecimento em libras, se esta profissional estiver em plantão ela que faz a mediação e caso não esteja é marcado um outro dia e horário para fazer a denuncia.
Isso nós faz pensar e se está mulher estiver em grande perigo ela terá que esperar até outro momento para ter o seu direito garantido.
Estas situações deixam claro a falta de comprometimento do estado na efetividade das políticas de enfrentamento a Violência contra as mulheres pois são estas políticas que criam mecanismos de coibir e previnir a Violência.
Se estás políticas não dão conta de todas as demandas da sociedade deixa de lado as mulheres mais vulneráveis ao acesso a esta rede.
Precisamos estar atentas a todas as perdas de direitos que nós mulheres estamos sofrendo ultimamente, o governo seja ele estadual ou federal não trás na sua agenda política a pauta das mulheres causando assim perdas e mais perdas.
A reforma trabalhista e da previdência trás as mulheres com deficiência grandes retrocessos, teremos que trabalhar muito mais pois a dupla jornada de trabalho não é levada em conta quando se é mulher, trabalhadora, mãe e dona de casa.
Infelizmente vivemos uma realidade política de retrocessos aos nossos direitos já conquistados.
Enquanto ativistas teremos que estar cada vez mais unidas nesta luta por garantias.
Embora os indicadores da violência no estado demonstrem uma diminuição nos casos de ameaças e lesão corporal, os casos de estupros e femininos.
Os casos de tentativas de feminicidio aumentaram com acréscimo de 36,9%.
Ainda estamos longe de vivermos em uma sociedade sem violência, é preciso levar esta pauta para as escolas, lares e todos os locais possíveis.
Precisamos criar nossos filhos com igualdade de gênero, deixar de lado isso é coisa de mulher, homem é vivermos em uma sociedade mais igual.
Carolina Santos.

2 de jun de 2017

Filme CAROL no 11º Mostra Cinema e Direitos Humanos de Porto Alegre.



Filme CAROL faz parte da mostra e esta sendo exibido em 26 estados e agora chega em Porto Alegre no 11º Mostra Cinema de Direitos Humanos.
Filme de Mirela Kruel conta a história de vida de Carol que aos 17 anos foi vitima de violência que a deixou cadeirante, Carol teve que vencer as marcas desta violência e seguir em frente, hoje é militante na causa.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO:
Entrada Franca
Classificação:14 anos

Dia:07/06/17
Hora:16:00
Local: Cinemateca Capitólio (R. Demétrio Ribeiro, 1085 - Centro Histórico)
Com audiodescrição

Dia:09/06/17
Hora: 16:00
Local: Cinemateca Capitólio (R. Demétrio Ribeiro, 1085 - Centro Histórico)



Dia:10/06/17
Filme e Debate com presença de Mirela Kruel e Carol
Hora:17:00


Descrição da imagem:

Imagem retangular .da capa do filme “CAROL”, Sob um fundo que mostra o lago Guaíba, na orla da Praia de Belém Novo, temos no topo o texto, centralizado e em letras brancas pequenas, “Secretaria do Estado da Cultura”, “apresenta”. Logo abaixo o título, em letras grandes em marrom claro, “CAROL”.
Sob a orla visualiza-se uma cadeira de rodas preta. Por cima dela, esboços da cadeira, com ênfase nas rodas, em salmão e branco. E, a partir da cadeira de rodas, se forma um caminho imaginário traçado em branco sobre as águas do lago.
Logo abaixo dos esboços, têm-se o texto, em letras brancas e pequenas, “um filme de Mirela Kruel”.

19 de mai de 2017

Estatuto do Desarmamento, Armas pela Vida e eu.

Imagem de um coração formado por balas.


Ontem ao ser entrevistada pelA repórter do Jornal Extra Classe para falar sobre o grupo que foi criado "Arma pela Vida" e da manifestação que aconteceu em Porto Alegre,  que defende o direito do cidadão andar armado e se defender, após a repórter me perguntar, confesso que voltei ao dia que levei um tiro e na minha história de vida não relato esta parte que escreverei aqui.
Nunca escrevi sobre a arma que me deixou cadeirante, matou o Marcelo e matou quem fez tudo isso mas vamos falar de arma e entender a respostas que eu dei sobre esse grupo.
Meses antes de acontecer tudo, lembro que um certo dia estava na casa dos pais daquela pessoa e de repente ele me chamou no quarto dos pais dele para me mostrar algo, eu fui e ao chegar ele pegou no forro da casa uma arma e uma caixa de balas pra me mostrar, na hora levei um susto e pedi que ele guardasse aquilo e nunca mais me mostrasse, me disse que era do pai dele e que por ser caçador tinha arma em casa e que o mesmo havia lhe ensinado a atirar desde cedo.
Saí daquele quarto sem entender nada mas mal eu sabia que aquela arma que era do pai dele tiraria a vida de duas pessoas e quase a minha, nunca escrevi sobre isso mas ao ver as pessoas criando grupo e entre eles o Arma pela Vida me senti provocada a escrever este artigo.
Se o Estatuto do Desarmamento foi aprovado em 2003 e traz na sua legislação: Art. 6o É proibido o porte de arma de fogo em todo o território nacional, salvo para os casos previstos em legislação própria e com esta lei houve toda um mobilização das pessoas entregando suas armas, e em 2000 eu fui vítima por arma de fogo por causa de um homem que tinha arma dentro de casa e foi o fator para que o filho tivesse acesso a ela e resolvesse acabar com minha vida e do Marcelo como posso ser a favor do Armas pela Vida  e contra o Estatuto do Desarmamento se por várias vezes me peguei pensando e se essa lei existisse naquele tempo o pai não teria facilitado toda a tragédia, o cara que fez tudo não teria condições de comprar uma arma mesmo que ilegal mas não foi assim minha história.
Pra mim garantir a proteção da população é papel do estado e do governo em criar políticas de segurança pública e não de dar direito a população de fazer justiça com as próprias mãos, pois as armas não matam quem as mata são as pessoas que tem poder sobre elas, o Estatuto é fundamental na vida das pessoas em vigor à 14 anos os indices de violência caíram e a população que mais seria atingidas caso fosse liberado seria a população mais pobre de periferia que sofre com as desigualdades sociais.
 Pense um pouco comigo, as pessoas poderão portar armar, em festas, estádios de futebol, no transito, na rua isso causaria um caos social a população e aumentaria os índices de violência no país.
Se o Congresso esta preocupado em beneficiar a industria de armas cabe a cada pessoa manifestar-se contra a revogação do Estatuto pois já é claro que no Congresso foi instaurado a liderança da bancada da bala deixa claro o interesse no assunto que não é político.
O Mapa da Violência de 2015 aponta de cerca de 160,000 mil vidas foram poupadas é preciso repensar nosso posicionamento sobre o assunto.
Faço uma reflexão do trabalho que desenvolvo sobre o fim da violência contra as mulheres onde 34% dos feminicidios são cometidos por arma de fogo e 40% cometidos por companheiros como vamos dar poder aos homens de andarem armados e protegidos por lei e podendo matar as mulheres pois se a cultura é enraizada de poder do homem sobre as mulheres quantas mulheres morreram por conta disso, chega ser ridículo ver mulheres do movimento hoje a favor deste grupo, mulheres essas que até ontem tinham entendimento que mulheres morrem por arma de fogo mais que por estrangulamento etc, mas ao mesmo tempo nos faz pensar o que algumas  mulheres militantes querem afinal, política, destaque ou simplesmente dar o direito de mais mulheres morreram nas mão de covardes assassinos, não podemos esquecer que isso pode acontecer com qualquer mulher de sua família, é preciso repensar será que estamos preocupados com o população que é vitima diariamente de bandidos ou se queremos causar uma guera civil com os beneficio que o Estatuto do Controle de Armas de Fogo trara para a população.
Não posso esquecer que na época eu não quis processar o pai dele mas se fosse hoje eu o colocaria na cadeia.

SEM ARMAS, MAIS VIDAS.

17 de abr de 2017

DESCASO DA EMPRESA BELÉM NOVO.

Imagem do ônibus Belem Novo.


Acordo às 05:00 da amanhã para mais uma consulta das tantas que tivemos que levar o Roberth em uma semana, saio de casa às 06:00 super cansada e neste dia sozinha pois nem sempre o Hélio tem como estar comigo.
Ele dorme no meu colo durante 3 horas diretas enquanto aguardo a consulta dele com mais um especialista, as horas parecem eternas começo a sentir dor e mais dor, não consigo me mexer com ele no meu colo, noto que as pessoas ficam me olhando como se fosse algo fora do normal uma mãe carregar seu filho no colo enquanto dorme.
Dos olhares que nos cercaram nenhum se ofereceu para ajudar pois é isso que faria se visse uma mãe ou pai com o cansaço expresso no olhar, é o que eu sempre digo, as minhas dificuldades como mãe são sim diferentes como as de outras mães mas todas nós passamos por dificuldades com nossos pequenos e questionar minhas dificuldades quando se trata de uma mãe cadeirante é mais fácil em uma sociedade que exclui com seus pensamentos e atitudes.
Na consulta o médico notou meu cansaço e pegou o Roberth no colo pois o cansaço era de estar a uma semana com ele entre o hospital e em casa chorando e gritando de dor, este cansaço não era por não caminhar e estar na cadeira mas era sim como outro qualquer quando se esta sobrecarregada.
Saímos de lá ele foi caminhando e decidi tomar um café pois estava com fome, pegamos o ônibus rápida Lami que vem super rápido e ao embarcar falei para o cobrador e motorista onde desceria como faço sempre que embarco.
Duas paradas antes aviso que vou descer mas como de costume sempre me deixam longe da parada e neste dia não foi diferente, ao descer o elevador ele ficou mais alto que o normal na hora de sair a cadeira foi para frente e o Roberth quase caiu, minha atitude foi segura-lo e larguei o controle da cadeira, neste momento o motorista resolve ajudar, mas longe da parada não tinha como eu manobrar a cadeira e nem subir o cordão da parada, o motorista me ajuda mas pega somente um lado da cadeira e esqueci o outro, quando subi percebo que a cadeira não sai do lugar, com o Roberh no colo não tinha visão nenhuma dos meus pés.
O Roberth desce do meu colo e o motorista entra em desespero, meu pé torto para trás por causa do pé da cadeira sinto uma dor mais forte por causa disso, o motorista pede pra eu ficar parada com a cadeira e resolve voltar com o pé da cadeira para a posição certa e quase termina de quebrar o pé, digo pra ele que vai quebrar e me diz só assim vai conseguir ir pra casa.
Vou pra casa sem nenhuma ajuda por parte dos funcionários com a roda da cadeira batendo no pé, ligo para a empresa e pergunto qual será o procedimento que eles teriam, o encarregado me diz que vão pagar o que foi danificado e que eu teria que ir lá na empresa assinar um termo de compromisso, em momento algum ele se dispôs a ir comigo ou me levar no lugar para comprar a peça e repor.
Fiquei pensando depois que desliguei o telefone, meu filho quase cai, meu pé quase quebra, minha cadeira sem condições de usar e se quer se oferecem para comprar a peça deixando isso para minha responsabilidade.
Mesmo sabendo do risco me aventurei a sair com a cadeira novamente e levei o Roberth, como o pneu encostando no pé da cadeira se não for trocado logo, eu terei que comprar outro pneu que custa 120,00 cada.
Lá fui eu para a loja perguntei da peça e verificaram que não tem na loja que somente daqui a 20 dias, sai de lá chateada e indignada com a falta de preparos dos funcionários que nos desembarcam de qualquer jeito, lembro de com um mês de uso da cadeira por forçarem a cadeira pra subir no elevador meus dois apoios de trás se quebraram e ando sem nenhuma proteção e ela virar, quem pagou por isso, j´é tão naturalizado que acabei não reclamando pois é o que mais faço a anos, quando fico na parada e me atraso pq o ônibus não funciona, quando me descem entre quatro porque o elevador não funciona e assim vai o descaso de quem precisa usar o transporte público da capital e região metropolitana.
Se passaram 10 dias e até agora ninguém da empresa ligou pra saber de algo, mas tomarei as providências necessárias por mim e por todas(os) que necessitam de um transporte digno.

31 de mar de 2017

O tempo nos afastou e nos aproximou PAI!

Imagem relógio de corrente e ao lado borboleta voando. 


Levei semanas para escrever este texto pois ele é uma reflexão e situação que estou vivendo no momento na minha vida.
Talvez eu me perca na escrita, talvez eu abandone o texto, talvez eu fique em lágrimas mas é preciso escrever.
Desde que me tornei cadeirante meu pai e minha mãe tentaram reatar a relação para também me darem força pra continuar a nova vida, mas não dei certo e nem teria uma relação fracassada e com muitas magoas não poderia continuar por coisa de mim.
E eu sabia que minha mãe ficaria infeliz com tudo isso e optei por não permitir essa volta, depois disso meu pai conheceu uma mulher, casou com ela, teve um filho e acabamos nos afastante pois ela não queria as filhas(os) dele na casa dela, olha só casa dela não, casa o meu pai pois ele já tinha este bem, antes de conhece-la porque minha mãe deixou pra ela na separação. mas tudo bem ele permitiu este afastamento dos filhos e assim os anos foram passando.
As vezes quando eu tinha o numero dele eu ligava, dia dos pais ligava, chorava, colocava música pra ele ouvir, quando eu não tinha seu numero eu dava um jeito de descobrir e ligar, mas nos afastamos mais ainda depois da morte da minha vó, ela mulher que ele havia escolhido para estar ao lado dele, não deu apoio a minha vó quando ela mais precisou, minha vó morreu por que queria morrer e não aguentava mais tanto sofrimento.
Sofri durante anos e o afastamento só aumentava, fui me reaproximar dele novamente depois que o Roberth nasceu, lembro que o Hélio me ajudou a ter essa coragem de ir levar nosso filho para o vô conhecer, e fomos lá apresentar o neto a ele com minha irmã.
Quando meu pai no viu não sabia o que fazer pois ela gritava que não queria a gente ali, meu pai disse que íamos entrar e assim foi, a visita foi estranha, já não eramos mais pai e filhas, enquanto falamos com ele  a companheira dele estava trancada no quarto para não nos ver, foi algo horrível.
Meu pai não tinha assunto e logo fomos embora chateadas com a recepção e a falta de convívio familiar, o tempo passou os netos iam crescendo e a distância nos acompanhando, até que um dia minha irmã me convidou para ir lá novamente, eu disse que não queria ir em um lugar que não era bem vinda mas ela insistiu e fomos, claro não fomos direto na casa dele pois ele poderia não estar e não queríamos ser recebida por ela.
Procuramos ele na volta e os encontramos na pracinha onde sempre jogou bola, ele veio até nos e dissemos que queríamos ir na casa dele, na hora pediu que não fossemos porque a mulher dele ia ficar grava, ficamos na rua conversando com ele, e decidimos ir embora e prometemos nunca mais ir lá.
O tempo passou eles se separaram, meu pai sofreu e muito com tudo isso, ele retomou seu tratamento no olho pois a anos estava com uma doença grave até que descobriu que estava com câncer no olho, teve um susto e tudo isso a gente sabia pelos outros estávamos afastado e não queríamos mais saber dele, saber que um pai não queria suas filhas(os) doeu e bastante em nós.
Eu particularmente não queria ver meu pai nem pintado de ouro na minha frente, ele começou a perguntar por nós, se aproximou da minha mãe depois de muitos anos afastados.
Um domingo ele vai na casa da minha irmã que mesmo com tanta mágoa o recebeu com carinho,  ela liga pra minha mãe que estava aqui em casa e ele pede pra falar comigo e digo que não quero falar com ele, o dia passa a tarde me deito com o Roberth e sou acordada com meu pai do lado da minha cama, me da um beijo e me diz:Eu sei que tu esta magoada mas eu estou aqui, claro não sou uma pessoa ruim e naquela hora parece que tudo tinha ficado pra trás, levantei fiz um café, pude ver meu pai e minha mãe conversando como duas pessoa civilizadas, ele pode rever o neto dele e passar o final de tarde com a gente.
O tempo passou nos aproximamos novamente, meu pai se operou pra retirar o olho que estava tomado de câncer, achamos que era só isso mas veio a noticia que não queríamos que o câncer era um dos mais severos e nem tratamento mais adiantava.
Foi um choque pra mim saber que meu pai tinha um câncer que nem tratamento poderia mais fazer, meu pai fez radioterapia pra amenizar um pouco as coisas, mas meu sofrimento estava apenas no começo.
Já não bastasse o sofrimento de saber que já não tem mais nada pra se fazer o que me causou uma dor enorme pois não quero que meu pai sofra e sabia que ele estava sofrendo e muito, sem ter como trabalhar, eu, minha mãe e irmã tendo que nos virar virar para poder ajuda-lo.
Eu sem ter como ir na casa dele pra ajuda-lo no que posso pois ele mora em um local que nem tem como descer com a cadeira de roda.
Me vi pressa a esta situação, me culpei por não caminhar, me culpei de não ter como ajuda-lo mais ainda, me culpei por ter irmãos que não estão nem ai.
Quantas vezes chorei me vendo pressa a esta situação e principalmente sem ter como ajuda-lo neste momento tão difícil, as vezes ligo pra ele e ouço ele disser que só esta esparrando sua hora, tento mudar de assunto e dizer que tudo vai passar.
Me pergunto porque teve se ser assim ficamos durante muitos anos longe e agora que nos aproximamos novamente o tempo será apenas o tempo e claro eu aproveito esse tempo o máximo que posso.
Sei que ele esta sofrendo e muito tanto com a dor mas principalmente por não querer ir tão jovem, me questiono o todo tempo, pois não estou preparada para isso, não quero e nem aceito,  já sofri demais quando perdi a minha vó que amo muito.
Mas sei que  vida é passageira demais para perdermos tempo e agradeço a Deus por ter nos dado novamente esse tempo seja ele breve ou longo eu viverei o máximo que puder ao lado do meu pai.

Farei do tempo nosso tempo para estarmos juntos nesta vida que durante anos nos afastou, não quero pensar no amanhã e sim podermos viver o hoje.


PAI TE AMO MUITO....



16 de mar de 2017

Nós existimos e, mais do que isso, resistimos


Filme"CAROL" nos 10 anos do Nem Tão Doce Lar.
O Seminário Celebrativo dos 10 anos da Exposição Nem Tão Doce Lar, realizado no dia 9 de março, na PUCRS em Porto Alegre (RS), teve início com a mesa Justiça de gênero e superação das violências. Edla Eggert, do Programa de Pós-Graduação em Educação – Escola de Humanidade/PUCRS (PPGEdu), e Marcia Blasi, do Programa de Gênero e Religião da Faculdades EST (PGR-EST), falaram sobre o tema, com a mediação de Cibele Kuss, secretária executiva da Fundação Luterana de Diaconia (FLD).
Na parte da manhã, falou-se sobre a importância de uma Política de Justiça de Gênero. “A justiça de gênero se expressa por meio da igualdade e relações equilibradas de poder entre mulheres e homens", afirmou Marcia Blasi. Para Edla, quanto mais falarmos sobre o assunto, mais avançaremos na desconstrução da ideia de que a mulher foi feita apenas para auxiliar o homem. "Precisamos de mais momentos como este para mudar essa realidade”.
À tarde, foi realizada a mesa Políticas públicas: viver sem violência, direito de mulheres e de homens, com a participação de Maria Luiza Pereira de Oliveira, do Sempre Mulher Instituto de Pesquisa e Intervenção sobre Relações Raciais, de Patrícia Grossi, do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social – Escola de Humanidade/PUCRS, e de Adilson Schultz, pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), que trabalha na perspectiva dos novos modelos de masculinidades. Adilson acompanhou os trabalhos realizados por uma ONG de Belo Horizonte que atua no acompanhamento a homens agressores encaminhados pelo Poder Judiciário. A mediação ficou a cargo de Leunice Martins de Oliveira, do NEABI/PUCRS – Escola de Humanidades.
Para Patrícia, a violência baseada em gênero causa um profundo impacto: “as mulheres acabam inibindo seriamente a sua capacidade de desfrutar os direitos e as liberdades em uma base de igualdade com os homens”, disse. 
Para Adilson, esse efeito é uma forma de manipulação indireta. “Quando um homem comete uma violência contra uma mulher, automaticamente não só a vítima, mas todas as mulheres daquele grupo ficam redis e acabam mudando o jeito de se portar e de se vestir.”
Maria Luiza falou sobre o crescimento do feminicídio entre mulheres negras que, segundo o Mapa da Violência de 2015, cresceu 54% em 10 anos, enquanto que as mortes de mulheres brancas caíram 9,8%. “É preciso questionar se as políticas públicas de enfrentamento da violência, sem levar em consideração a parte racial, são mesmo eficientes”, disse.
Ao final da tarde, Elisandra Carolina dos Santos, personagem principal do curta Carol e coordenadora do Grupo Inclusivass, juntamente com Giovane Antônio Scherer, do GEJUP/PUCRS – Escola de Humanidades, responsável pela mediação, abriram a roda de conversa A arte como potência na prevenção das violências na vida ordinária.
Carol falou sobre as violências que mulheres com deficiência sofrem todos os dias. "As mulheres já são excluídas e invisibilizadas de forma geral, imagina as mulheres com deficiência?" Além disso, ela apontou o agravante de pesquisas não contabilizarem essas violências por não haver o registro de dados. "Se vamos registrar uma denúncia na delegacia, a mulher cadeirante não consegue entrar, porque só há escadas, a mulher surda não consegue denunciar, porque não há interpretes, e assim por diante. Elas acabam desistindo e não são vistas".
Carol integra o Inclusivass há três anos, que luta por visibilidade, acessibilidade e reconhecimento. "Nós existimos e, mais do que isso, resistimos!"
A última mesa do seminário, Iniciativas de superação das violências/novas perspectivas, composta por Marlene Strey, do PPG Psicologia/PUCRS - Escola de Humanidades, e Télia Negrão, do Coletivo Feminino Plural, contou com a mediação de Rogério Oliveira de Aguiar, assessor de projetos na FLD.
Marlene iniciou questionando a pedagogia da violência, método de educação que ensina crianças desde pequenas a serem violentas para se defenderem e conseguirem o que querem.
"Os homens não nascem violentos, mas aprendem a agir dessa forma para que, de alguma maneira, possam solucionar seus problemas". No entanto, ela explica que isso não é algo transmitido intencionalmente pelas mães e pelos pais. "As crianças aprendem esse comportamento por meio da observação de pessoas ao seu redor, como na escola, em brincadeiras, na família, com amigas e amigos e também pela televisão", completa.
Segundo Télia Negrão, essas violências atingem todas as mulheres. "A não ser que alguém viva numa caixa, isolada, sem contato com absolutamente ninguém, todas são atingidas, seja por meio das mídias em veículos de comunicação, seja pelas redes sociais, por produções literárias, sessões de entretenimento ou qualquer outro tipo de vivências com humor".
A situação se agrava com a retirada de direitos e políticas públicas. "As mulheres e os homens que estão ao lado das mulheres, precisam, agora mais do que nunca, tomar conta dos seus espaços na cidadania e lutar pela democracia", finaliza Télia.
O Seminário foi promovido pela FLD em parceria com a Escola de Humanidades da PUCRS, o Coletivo Feminino Plural, o Grupo Inclusivass e o Programa Gênero e Religião da Faculdades EST.

Fonte: http://www.fld.com.br/blog/nos-existimos-e-mais-do-que-isso-resistimos/

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