25 de nov de 2016

Uma nova história surge.

Na foto em primeiro plano o rosto de uma mulher negra de perfil, ela segura uma mascara e seu rosto esta pintado de branco, ao fundo Carolina aparece com a metade do rosto pintado e a outra metade uma mascara.. 

O tempo passa rapidamente nesta caminhada e o senhor tempo me mostrou que hoje é um dia muito especial na minha vida.
Há exatamente quadros anos lá estava eu, em silêncio, tímida, observando tudo, eram mulheres organizadas que pintavam o rosto de branco, colocavam perucas coloridas e carregavam com elas mascaras da princesa Alice que trazia no seu rosto marcas de violência.
Mas o que aquelas mulheres queriam com todas aquelas coisas em pleno domingo, onde poderiam estar com suas famílias, mas não, estavam ali em um dia que é marcado pela luta do fim da violência contra as mulheres e elas queriam chamar a atenção de quem passava e da sociedade que nenhuma mulher merece ser violentada.
De repente eu estava com o rosto pintado e entre aquelas mulheres, naquele momento me senti acolhida por todas que como eu queriam apenas falar, gritar e serem ouvidas.
Esse silêncio que me aprisionou durante anos da minha vida me levando ao sofrimento de culpa naquele momento queria gritar para todos ouvirem e gritei o mais alto que pude, senti meu corpo tremer e me senti completa.
Sabia que naquela hora eu deixava de lado aquela que me acompanhou anos, o silêncio aprisionado em mim
Na volta pra casa toda pintada e com os olhares pra mim, o que não me incomodou, voltei aliviada daquela prisão dentro de  mim e foi então que percebi que eu poderia fazer algo, e o fiz a cada movimento de mulheres lá estava eu reafirmando minha caminhada,, percebi que minha história de vida poderia ajudar outras mulheres.
O tempo passou e sou outra mulher, uma mulher mais madura, mais firme de suas decisões, com um novo pensamento e olhar.
Hoje consigo falar com entendimento e um pouco de conhecimento pois o tempo vai me aprimorando.
Desta triste historia de vida fiz minha bandeira na luta por todas, conquistei espaços, conheci pessoas, fiz do meu blog um espaço de fala nesta nova caminhada.
Quantas vezes vim pra casa cheia de dúvidas quando ouvia palavras diferentes e me perguntava que mundo é esse que eu circulava até entender que esse mundo era um lugar que as mulheres lutavam por igualdade, sofriam com a violência, lutavam para ocupar espaços de poder e decisão e queriam sair dessa desigualdade que tanto nós oprimi.
Mesmo crescendo em um ambiente de violência eu não entendia o que era violência e o que eu tinha vivido tinha sido um crime contra mim e meu corpo, contra outro corpo e contra seu próprio corpo.
No ano de 2014 realizei o meu maior sonho, ser mãe e novamente tive que viver com olhares e atitudes preconceituosas, tive que apender a lidar com isso até porque a sociedade já me via como algo de menor importância e agora não seria diferente e não foi.
Aprendi a ser mãe sobre rodas, matei dentro de mim meus maiores medos e vencemos o que todos diziam que não conseguiria.
Logo depois da maternidade a noticia que minha história de vida seria contada  em um filme, o filme CAROL, que recentemente ganhou  premiação de melhor filme e menção honrosa pelo tema relevante.
Meu filme tem emocionado muitas pessoas entre elas mulheres que vem na minha história suas histórias, que já é conhecida internacionalmente.
Nesta caminhada hoje sou coordenadora do Grupo Inclusivass, grupo de mulheres com deficiência que surgiu através de um Seminário para Mulheres com Deficiência e Politicas Públicas nosso primeiro passo para criar o grupo, hoje representado por mulheres guerreiras e de grandes lutas.
Mas para que tudo isso acontecesse alguém cruzou meu caminho naquele dia que me descobri ao lado daquelas grandes mulheres, Telia Negrão e Coletivo Feminino Plural cruzam minha vida abrindo espaços para essa nova história, uma nova história agora sim, sem culpa e medos.
O que posso dizer de todas essas coisas maravilhosas que aconteceram comigo, que não me vejo fazenda outra coisa e que estamos no final do ano e finalizando o projeto Todas São Todas na qual faço parte da coordenação, esse projeto me trouxe muito entendimento, aprendizado e muitos desafios pessoais.
Um projeto que traz a tona o silêncio das mulheres com deficiência que sofrem todos os tipos de violência por serem mulher e mulher com deficiência e estão mais vulneráveis a sofrer violência.
O que antes não era falado, o projeto trouxe para essa reflexão da sociedade e do estado.
Na etapa final e muito cansada pois coordenar um projeto não é nada simples posso dizer que tudo que vivi este ano ao lado dessa equipe foi maravilhoso, foi aprendizado, saberes e muito companheirismo.
Mesmo vivendo um momento difícil de retrocessos na luta pelos direitos das mulheres e com o golpe presente, estou preparada para continuar nesta caminha que começou em 1960.

#NemUmaAMenos



5 de nov de 2016

Observatório da Violência Obstétrica no Brasil-Da violência obstétrica sofrida para o ativismo.



Foi depois de ler um artigo sobre violência obstétrica muito triste de um relato de uma mãe que tinha sofrido muitas violências durante a gravidez e no parto, que tive conhecimento do que era essa violência que eu tinha sofrido também e que não sabia ser uma violência.
Enquanto lia este relato chorava muito pois tudo aquilo era como se fosse eu, foi deste relato que resolvi escrever o meu, foi difícil colocar em palavras toda dor sofrida por nós durante a gravidez e o parto.
Depois que escrevi meu relato senti que eu não podia ficar calada e precisa ter voz para poder ajudar outras mães com deficiência para não sofrerem tudo que sofri, tentei por inúmeras vezes participar de diálogos sobre o assunto, mas nunca conseguia, busquei divulgar meu relato em blogs e chamar à atenção mas sem retorno.
Foi quando meu relato sai no blog Temos que falar sobre isso, foi neste blog que pude tornar minha história conhecida.
Por muitas vezes me pego pensando em tudo que passei, olho para meu filho e vem udo em mente.
Hoje posso dizer que o tempo passou mas que serei a voz de muitas mulheres com deficiência na luta pelo fim da violência obstétrica, através da parceria com o Coletivo Feminino Plural com Observatório de Violência Obstétrica faço parte do Comitê do Observatório e que meu relato de parte é o primeiro a fazer parte do site do Observatório onde as mulheres poderão enviar os seus.
Mais um trabalho se inicia na minha vida pelo fim da violência mas estou feliz em poder seguir nesta luta que faz parte da minha existência.

Que venham muitos trabalhos pela frente, pois minha luta é de todas.

Conheçam o site do Observatório:http://www.observatoriovobrasil.com.br/

26 de ago de 2016

INCLUSIVASS no FESTIVAL DE CINEMA DE GRAMADO (RS)

#pracegover:na foto, Carol aparece em meio corpo, à direita da foto, virada para o lado esquerdo. Atrás dela aparece uma parte lateral de um ônibus, onde se lê STS


Carolina Santos, coordenadora do Grupo Incusivass, estará presente no 44º Festival de Cinema de Gramado (RS) . O curta “Carol”, que conta sua história e tem direção de Mirela Kruel e apoio do Programa de Gênero e Religião da Faculdades EST, está concorrendo na competição CURTAS GAÚCHOS. Será exibido na Sessão Mostra Gaúcha, às 14h30min do dia 28 de agosto, domingo.

Confira:


* SOBRE O CURTA ‘CAROL’:

A história de uma mulher que se redescobriu depois de ter passado por uma situação de violência. Um registro do seu cotidiano, suas dificuldades e angústias, sonhos e alegrias. Através da proximidade com a vida de Carol vemos como é possível superar preconceitos, tristezas, e seguir em frente.

Ficha Técnica
Empresa Produtora: PH 7 e Mirela Kruel – Criação de Imagens
Roteiro: Marcela Bordim
Produção Executiva: Karine Emerich
Elenco: Carol Santos
Direção de Fotografia: Eduardo Nascimento Rosa
Montagem: Bruno Carboni
Desenho de Som: Thiago Bello

O filme tem o apoio do Programa de Gênero e Religião da Faculdades EST, através do projeto Teologia, Sexualidade, Saúde Reprodutiva e Direitos, na reprodução do filme em DVD, na legendagem em inglês e espanhol e audiodescrição. Estamos muito felizes com a indicação e estaremos lá prestigiando.

* E PELA PRIMEIRA VEZ, FESTIVAL DE CINEMA DE GRAMADO vai realizar SESSÃO DUPLA DE AUDIODESCRIÇÃO


Os filmes “Memória da Pedra” e “El Mate” serão exibidos com audiodescrição ao vivo no 44º Festival de Cinema de Gramado, respectivamente, nas Mostras Competitivas de Curtas e de Longas-Metragens Brasileiros, dia 31 de agosto, quarta-feira, às 21h30, no Palácio dos Festivais, na Serra Gaúcha.

Um número limitado de ingressos gratuitos destinados exclusivamente aos usuários da audiodescrição será distribuído por ordem de reserva até dia 29 de agosto, segunda-feira, pelo e-mailovniacessibilidade@gmail.com ou pelos fones (51) 3414-4690, (51) 8451-2115 ou (51) 9208-1176.

A produção de acessibilidade é da OVNI Acessibilidade Universal, com apoio da Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência e com Altas Habilidades no Rio Grande do Sul (Faders) e da Associação Gaúcha de Audiodescritores (Agade).

Fonte:npgenero.wordpress.com

5 de ago de 2016

Campanha-#Inclusivassfalamsemmedo

As mulheres com deficiência só sairão da invisibilidade do estado e da sociedade quando as políticas de enfrentamento à violência doméstica incluírem as mulheres com deficiência.
PARTICIPE:

Lei Maria da Penha completa 10 anos no dia 7 de agosto de 2016. Para marcar a data, oGrupo Inclusivass estará participando da campanha "Eu Falo Sem Medo, e você?" do Fundo Fale Sem Medo (Instituto Avon/Fundo Elas). 

Serão realizadas várias atividades ao longo do mês de agosto. 

- CAMPANHA #inclusivassfalamsemmedo:

O Grupo iniciou a campanha nas redes sociais #inclusivassfalamsemmedo convidando as mulheres com deficiência a fazerem um vídeo de no máximo um minuto respondendo apergunta: 

"O que é violência para as mulheres com deficiência?" 

Os vídeos estão sendo veiculados na página das Inclusivass no Facebook e no canal do Youtube, Clique AQUI para acessar os vídeos. 

Para participar, basta fazer um vídeo de no máximo um minuto respondendo a pergunta: "O que é violência para a mulher com deficiência?" E publicar no seu facebook e no das Inclusivass

Assista ao vídeo em que Carolina Santos, coordenadora do Grupo Inclusivass, explica como participar:





Fonte:todassaotodas.blogspot.com

18 de jul de 2016

Consulta Pública - Lei Gaúcha da Acessibilidade e Inclusão da Pessoa com Deficiência



Sua participação é muito importante nesta construção.

Período: até o dia 22 de julho
 

Decreto nº 52.525/2015 (e sua alteração) instituiu o Grupo de Trabalho que teve como atribuição atualizar o marco legal existente segundo os princípios e conceitos da Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e da Lei Brasileira de Inclusão – LBI. Como resultado deste trabalho, foi elaborada a minuta de projeto da Lei Gaúcha da Acessibilidade e Inclusão da Pessoa com Deficiência. Segue abaixo o formulário para que você colabore com o texto final.

Site:http://www.portaldeacessibilidade.rs.gov.br/servicos/36/3334

3 de mai de 2016

Carta para a Deputada Mara Gabrili.



                                                  Senhora Deputada Mara Gabrilli

Depois de passar uma tarde toda escrevendo e construindo um diálogo entre as mulheres com deficiência do meu estado e ao ver a senhora votar a favor do impeachment e ver que é contra ter uma mulher no poder que se quer cometeu algum crime e para justificar seu voto usar as pessoas com deficiência e não falar por si só mas em prol dos seus interreses políticos usando as pessoas com deficiência, eu lhe pergunto o que o seu partido tem feito em nome das pessoas com deficiência e das mulheres com deficiência que se encontram em maior vulnerabilidade e ainda invisíveis a sociedade e seus direitos?

Quero lembrar a senhora que somos apenas 10% das eleitas na câmara de deputados e que ainda sofremos com as desigualdades na política onde nós mulheres não nascemos para estar no poder mas sim darmos o poder aos homens, sim aos homens e são eles ladrões investigados por crimes políticos que estão votando e presidiando a votação ao golpe e a senhora esta dando poder a eles.

O seu partido foi mais importante na hora de sua votoção do que a luta aos direitos das mulheres com deficiência e das pessoas com deficiência.

Quero lhe perguntar neste momento quantas pessoas com deficiência estão com vergonha da senhora em usar elas para justificar uma votação.

Quantas(os) militantes, movimentos e ongs estão se questionando.

Não quero aqui falar em partido mas quero aqui falar das mulheres na política, mulheres essas que sofrem preconceito, discriminações, perseguições, violência e se quer são respeitada na câmara dos deputados a todo momento quanto se mostram contrárias aos interesses de alguns.

Sim deputada somos atacada a todo momento pelo fato de sermos mulheres e estarmos descontruindo a hierarquia política desse país

Quero perguntar para a senhora quantas mulheres com deficiência estão na política?

Quero perguntar para a senhora quem se preocupou com as mulheres com deficiência ao fazer uma convocação Nacioanal das Mulheres com deficiência para a garantia de participação na Conferência Nacional das Mulheres para que pudessemos levar nossas reinvindicações, quem deu continuidade na SPM garantindo os direitos das mulheres, quem travou uma luta pelo fim da violência doméstica e trouxe a construção das casas da Mulher Brasileira, quem criou o programa Viver Sem Limites que beneficia as pessoas com deficiência na garantia de seus direitos e no qual se eu hoje tenho uma cadeira motorizada é graça a esse plano onde tive que empurrar minha cadeira por 15 longos anos da minha vida, quem criou um grupo de trabalho que vai promover ações para a garantir a qualidade do atendimento e acesso a saúde das mulheres com deficiência e mobilidade reduzida, quem criou a prioridade no plano Minha Casa Minha Vida onde nós mulheres com deficiência e mães temos total prioridade.

É senhora deputada tudo isso que descrevi foi criado na gestão de uma mulher que foi eleita pelo povo e que hoje sofre todos os golpes possíveis, vem sendo atacada pela mídia que afirma ser uma mulher descontrolada, vem sofrendo preconceito, sexismo, misoginia e machismo a toda hora.

O ódio contra uma mulher se espalhou pela nação sendo difundido pelos homens.

Senhora deputada.

Sim nós mulheres com deficiência queremos ter nossos direitos garantidos, chega de sermos invisiveis, chega de sermos tratadas como coitadinhas, chega de sofrermos as desigualdades da sociedade.

Sim eu pergunto para a senhora até quando nós mulheres estaremos desunidas permitindo todos os ataques pelo fato de termos uma mulher no poder.

Sejamos a voz da política, sejamos a coragem de mudar.

As mulheres com deficiência estão construindo sua história não nos envergonhe.

PRECISAMOS DE REPRESENTATIVIDADE NA POLÍTICA.

Pelo direito de igualdade

Pelo direito de parir

Pelo direito de viver sem violência

Pelo direito político

Pelo direito a igualdade salarial

Pelo direito de ser mulher...



Carolina Santos

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